Portais Corporativos - você ainda
vai ter um
Introdução
Muito se fala (e escreve) sobre o uso adequado da TI (Tecnologia
da Informação) para melhorar a produtividade, muito
se fala sobre os problemas do tradicional modelo Cliente/Servidor
em duas camadas e sobre o modelo de desenvolvimento em n camadas
como solução para os problemas do tradicional modelo
Cliente Servidor. Em minha coluna Webmaster, publicada mensalmente
na revista Developers Magazine, após ter escrito sobre o
modelo de aplicações Web, finalizei com a seguinte
frase:
"Bem, a evolução é um processo contínuo.
O próximo passo desta evolução, na busca de
maior eficiência no acesso às informações
é a implementação de Portais Corporativos."
Então é chegada a hora de falar um pouco sobre Portais
Corporativos. Vou mostrar qual a proposta e os benefícios
da implementação de um Portal Corporativo. Vou iniciar
com uma visão geral. Na seqüência analisarei mais
alguns aspectos relacionados á Portais Corporativos.
Nota: Confira todos os detalhes sobre os modelos
de programação Cliente/Servidor de 2 Camadas e Web
de 3 ou mais Camadas no artigo:
Criando
aplicações em 2, 3 ou n camadas.
Nem tudo são flores
O modelo de desenvolvimento em 3 ou mais camadas traz a tecnologia
e o modelo de desenvolvimento Web para dentro da empresa. A partir
do uso desse modelo de desenvolvimento, as empresas conseguem implementar
aplicações robustas e seguras, e ao mesmo tempo fáceis
de instalar e manter atualizadas. Porém não podemos
esquecer que existem dezenas, muitas vezes centenas de sistemas
baseados em modelos mais antigos como o Mainframe (antigo no sentido
de existir a muito tempo, nunca no sentido de estar ultrapassado)
ou o tradicional modelo Cliente/Servidor. A questão é:
O que fazer com essas aplicações?
Obviamente que o ideal seria reescrever todas as aplicações
para o modelo baseado em 3 ou mais camadas – modelo Web. Mas
temos que levar sempre em consideração a relação
custo x benefícios. Sem dúvidas que novas aplicações
devem ser desenvolvidas com base nos modelos de n camadas, baseadas
em tecnologia Web. Mas será que realmente é necessária
a adaptação imediata de todas as aplicações
já existentes? Na prática nós sabemos que não.
O que acontece, na prática, é que a empresa continua
utilizando os diversos sistemas disponíveis, não por
opção, mas pelas necessidades do trabalho diário.
Na prática temos, na mesma empresa, o convívio de
aplicações baseadas em Mainframe, aplicações
baseadas no modelo Cliente/Servidor e novas aplicações
baseadas no modelo em 3 ou mais camadas. Manter e integrar essa
diversidade de sistemas é um desafio, no mínimo, gigantesco.
Nesse cenário temos as informações, matéria
prima mais importante para a empresa, "espalhada" através
dos diversos sistemas da empresa. Nem mesmo o acesso às aplicações
disponíveis é uma tarefa fácil. Primeiro o
usuário tem que descobrir se existe um aplicativo que faz
o que ele quer, depois ele tem que descobrir quem é o responsável
pela instalação e manutenção e, por
último, precisa aprender a utilizar o programa. Além
disso o usuário precisa utilizar diferentes aplicativos para
acessar as informações necessárias:
Um Emulador de Terminal para acessar os sistemas do Mainframe.
Um Navegador para acessar os sistemas baseados em tecnologia
Web de n camadas e a Intranet da empresa.
Diversos programas baseados na arquitetura Cliente/Servidor,
onde cada aplicativo é um programa diferente, instalado
no computador do usuário.
Onde é que os Portais Corporativos
entram nessa história??
A idéia dos portais corporativos surgiu a partir da criação
dos portais da Internet, tais como o Yahoo, UOL, Terra, etc.
Se
estes portais facilitam o acesso do usuário às informações
da Internet, porque a utilização deste modelo, dentro
da empresa, não facilitariam o acesso às informações
internas da empresa?
A idéia do Portal Corporativo é criar um ponto de
acesso único, a todas as informações e aplicativos
que o usuário precisa para realizar o seu trabalho diário.
Através do Portal o usuário deve ter acesso a todas
as informações necessárias, aos aplicativos
disponíveis, a treinamentos Online e às orientações
gerais para o seu trabalho.
Além de ter acesso às informações disponíveis,
os usuários também devem dispor de ferramentas que
permitam o compartilhamento da informação. É
comum a criação de comunidades virtuais e comunidades
de práticas que funcionam diretamente no Portal Corporativo.
Um dos principais objetivos dessas comunidades é facilitar
a troca de informações entre seus participantes. Ao
mesmo tempo em que existe a troca, também existe o registro/captura
dessa informação. Isso é benéfico para
toda a empresa, pois informação compartilhada através
do portal é informação disponível, diferente
de quando a informação está apenas na "cabeça"
dos funcionários.
A medida que o Portal Corporativo começa a ter maior aceitação,
com o conseqüente aumento no número de acessos, é
possível começar a pensar na migração
dos sistemas legados para a o modelo Web de n camadas. Em muitos
casos nem é necessário a migração das
aplicações, basta apenas fornecer o acesso através
do Portal. Por exemplo, o banco no qual sou correntista, mantém
toda a sua base de dados no Mainframe. Porém eu consulto
saldo, extrato e faço pagamentos através de uma aplicação
Web de n camadas. O Navegador é o meu cliente, existe um
servidor de aplicações na qual estão as regras
do negócio e, através desse servidor de aplicações
é que são acessados os dados do Mainframe. Para mim,
do ponto de vista do usuário, não faz a mínima
diferença o fato dos dados estarem no Mainframe ou em um
servidor Intel rodando o SQL Server ou ORACLE ou outro banco de
dados qualquer.
Um dos principais objetivos do Portal Corporativo é facilitar
o trabalho dos funcionários, disponibilizando as informações
e ferramentas que eles necessitam. Um expressão que ficou
muito famosa, encontrada em muitos artigos, é a seguinte:
"A informação certa, para a pessoa certa
no momento certo." Portais bem projetados e focados nas
reais necessidades dos usuários, são capazes de vencer
o desafio de fornecer as informações corretas, quando
necessárias, para quem delas precisar (só troquei
os termos para dizer a mesma coisa).
A criação de um Portal Corporativo não é
uma tarefa trivial. O fator Humano é muito importante. O
Portal precisa ser projetado tendo como base as necessidades dos
usuários. É importante entender como as pessoas realizam
o seu trabalho e projetar um Portal que faça sentido do ponto
de vista do usuário comum e não do ponto de vista
da equipe técnica. O usuário tem que poder acessar
e pesquisar as informações usando diferentes caminhos.
Algumas perguntas importantes são: O que os usuários
precisam saber? Quais as fontes de conhecimento que os usuários
utilizam ou poderiam utilizar no futuro? Como os usuários
devem procurar por elas? Será que o Portal Corporativo será
intuitivo para o usuário? Qual será o impacto do Portal
Corporativo no aprendizado e na tomada de decisões?
Observem que todo o foco é voltado para o usuário.
Se este não perceber valor no portal, como um elemento facilitador
do seu trabalho diário, será muito pouco provável
que o processo venha a ter sucesso.
É preciso envolver
os funcionários, "vender a idéia do portal",
mostrando, através de exemplos práticos, que o Portal
Corporativo é uma ferramenta que pode ajudar muito no trabalho
diário de cada um. O Portal precisa fornecer aos usuários
bons motivos para que estes visitem o portal todos os dias. Percebem
o tamanho deste desafio???
Neste tópico apresentei apenas a idéia inicial do
Portal Corporativo. Nos próximos tópicos vou abordar
um pouco mais sobre esse tema. Para saber mais sobre Portais Corporativos,
recomendo o excelente livro "Portais Corporativos",
do Professor José Cláudio Cyrineu Terra.
Portais Corporativos – O Fator Humano
e Comunidades de Prática.
Neste tópico falarei sobre como o Fator Humano é determinante
no sucesso da implementação de um Portal Corporativo.
Vou abordar as seguintes questões:
Como "vender" a idéia do portal?
Compartilhamento de informações não acontece
por decreto.
Como vender a idéia do Portal?
O Portal Corporativo representa uma mudança, para melhor,
no acesso às informações e sistemas da empresa.
Não basta que o Portal seja bem implementado, eficiente,
rápido e "recheado" de conteúdo e serviços,
mais do que tudo isso é preciso que o usuário saiba
e, principalmente, perceba valor na sua utilização.
Sem esta percepção, todo esforço será
em vão. As pessoas simplesmente não irão utilizar
os serviços do Portal, se não perceberem, nessa utilização,
vantagens e melhorias para o seu trabalho diário.
Quer um exemplo simples e prático?
Foi necessário
algum treinamento, divulgação em massa ou avisar mais
de uma vez sobre aquele sistema que fornece consulta ao Contra-cheque??
Obviamente que não. Por que?? Ora, porque o usuário
percebeu valor/utilidade no acesso a este recurso – quem não
quer consultar o contra-cheque alguns dias antes do pagamento??
É isso. Simples. Direto. Nem mais, nem menos.
A cultura organizacional, a maneira como as pessoas realizam o seu
trabalho e os valores vigentes na organização, tem
que ser levados em consideração quando da implementação
dos serviços do Portal. As normas e valores de uma organização
também podem ser considerados um sistema de controle não
oficial, ou melhor, são o sistema de controle que realmente
vale, que efetivamente é aplicado no dia-a-dia da empresa.
Nem por intimidação, nem por medo da perda do emprego,
nem por nada, as pessoas, no longo prazo, alcançam resultados
que vão contra os seus princípios e crenças.
Em algum momento, consciente ou inconscientemente, as pessoas acabam
"sabotando" iniciativas que contrariem suas crenças
e valores pessoais.
Já estou complicando novamente. Na verdade, o que eu queria
dizer é o seguinte: "Nem por decreto, ordem de serviço
ou "berros do Presidente", os funcionários usarão
os serviços do Portal se não forem percebidos, nesses
serviços, valor e utilidade para o seu trabalho diário.
Acho que esta última explicação ficou um pouco
melhor. Espero que sim.
Por outro lado, os serviços do Portal somente serão
realmente úteis, se tiverem sido projetados a partir de uma
ampla compreensão de como as pessoas realmente realizam o
seu trabalho. Desde a fase de concepção, passando
pelo projeto e pela implementação, é fundamental
que haja uma participação efetiva dos usuários.
Quem melhor do que os usuários, para explicar as suas reais
necessidades???
Em algumas empresas, as definições são feitas
por uma equipe técnica, centralizada, a qual não tem
contato direto com os funcionários, clientes e parceiros
de negócios. Obviamente que essa é uma péssima
abordagem. Quem melhor sabe as necessidades dos clientes é
quem interage diretamente com eles. Quem melhor sabe os problemas
do dia-a-dia na empresa é quem está realizando o trabalho.
Pense bem nisso. Esse é um fator decisivo para o sucesso
na implementação do Portal Corporativo.
Compartilhamento não acontece por
decreto:
No início deste artigo eu escrevi o seguinte: Uma expressão
que ficou muito famosa, encontrada em muitos artigos, é a
seguinte: "A informação certa, para a pessoa
certa no momento certo." Portais bem projetados e focados
nas reais necessidades dos usuários, são capazes de
vencer o desafio de fornecer as informações corretas,
quando necessárias, para quem delas precisar.
A informação necessária para que cada um realize
o seu trabalho não está toda contida nos sistemas
informatizados na empresa. Essa informação está
também na cabeça das pessoas, no chamado conhecimento
tácito (falaremos mais sobre conhecimento tácito nos
próximos tópicos). O grande desafio é: "Como
capturar o conhecimento tácito, de tal maneira que esse possa
estar disponível para todos que dele precisarem??".
Em poucas palavras: "Precisamos de mecanismos que incentivem
o compartilhamento das informações e que sejam capazes
de converter conhecimento tácito em conhecimento explícito".
Mais uma vez temos no portal e nos seus serviços uma ferramenta
valiosa para o compartilhamento de informações na
empresa. A criação de uma cultura de compartilhamento
de conhecimento dependerá em muito da atenção
e do apoio explícito da alta administração,
estando esta dedicada e comprometida em criar uma cultura de compartilhamento.
Um fator decisivo é uma cuidadosa preparação/revisão
dos processos de trabalho, para que estes incentivem o compartilhamento
das informações. Reestruturar processos é algo
difícil, que encontra enormes resistências por parte
dos funcionários. Mas em algum momento terá que ser
feito, pois não adianta ter ferramentas que apóiem
o compartilhamento, bem como boa vontade dos funcionários
se os processos de trabalho são lentos e burocráticos,
e que absorvem grande parte do tempo em tarefas pouco sintonizadas
com os objetivos da empresa.
A seguir coloco algumas atitudes da Alta Administração
que são importantes para a criação de uma cultura
de compartilhamento das informações (segundo sugestões
contidas no excelente livro "Portais Corporativos",
do Prof. Dr. Cláudio Cyrineu Terra):
Dar o exemplo, usando o Portal e compartilhando informações.
Promover o compartilhamento do conhecimento como um valor institucional.
Criar funções/posições dedicadas à
Gestão do conhecimento e alocar o quantitativo de funcionários
suficiente para exercer tais atividades.
Definir políticas de RH que incentivem o compartilhamento
das informações.
O maior obstáculo nunca foi e nunca será a tecnologia
(embora possa atrapalhar e limitar em certos casos onde são
utilizadas ferramentas inadequadas), mas sim a cultura de uso das
ferramentas e do compartilhamento do conhecimento.
A confiança entre os funcionários e dos funcionários
em relação à administração é
um fator fundamental para que o compartilhamento do conhecimento
exista. É necessário um bom clima de relacionamento,
não basta o relacionamento oficial, apenas baseado na hierarquia
organizacional. Na falta de uma relação de confiança
bilateral entre a organização e seus funcionários,
é difícil imaginar que os funcionários sintam-se
a vontade para compartilhar seus conhecimentos uns com os outros.
Também é importante que a empresa incentive a experimentação,
adotando políticas que tolerem erros e que entendam que os
erros são oportunidades preciosas de aprendizagem. Deve ser
incentivada a participação de pessoas de diferentes
áreas da empresa, de tal maneira que possam ser compartilhadas
diferentes visões sobre o mesmo problema/assunto. A diversidade
é outra fonte fundamental de aprendizagem. O Portal também
deve fornecer ferramentas para facilitar a criação
e manutenção de Comunidades Virtuais e Comunidades
de Prática, mas estes já são assuntos para
os próximos itens.
A seguir coloco alguns endereços para que você possa
se aprofundar um pouco mais:
www.informal.com.br
www.brint.com/km
www.sbgc.org.br
www.kmol.online.pt
www.crie.ufrj.br/mbkm
Comunidades de Práticas: Conhecimento
Explícito x Conhecimento Tácito:
Você já deve ter escutado a velha discussão
sobre Teoria x Prática. Os Teóricos acusam os práticos
de não gostar de estudar, de não seguir uma metodologia
definida, bla, bla, bla... Já os Práticos acusam os
teóricos de só ficar fazendo análises, estudando
porém sem obter nada de resultados práticos e bla,
bla, bla... Tem até a bem conhecida discussão entre
os puristas da Orientação à Objetos e a turma
do Desenvolvimento baseado em Componentes. Bem, pelo menos nesta
coluna, meu objetivo não é entrar em polêmicas.
Apenas citei a velha discussão entre Teoria e Prática,
para ilustrar o que será discutido neste item: Conhecimento
Explícito x Conhecimento Tácito e como as Comunidades
de Práticas podem ser uma importante ferramenta para captação,
codificação e disponibilização do conhecimento
tácito para todos que dele precisarem, dentro de uma empresa.
Diferentes tipos de conhecimentos:
Conhecimento e aprendizagem são temas sempre atuais e fortemente
interligados. A UNESCO possui um grupo de trabalho conhecido como:
Comissão Internacional sobre Educação para
o Século XXI. Este grupo definiu um novo modelo de educação,
baseado nos seguintes, digamos assim, "aprenderes":
Aprender a conhecer
Aprender a fazer
Aprender a conviver
Aprender a ser
O primeiro aprender, ou seja, Aprender a conhecer refere-se ao que
as pessoas (e infelizmente muitos dos responsáveis pela educação
e aprendizagem nas escolas e empresas) acham que seja educação
em si. Refere-se ao conhecimento técnico, transmitido através
das aulas tradicionais, de palestras, livros, Internet e outras
fontes de informações. O aprender a conhecer, refere-se
ao que chamamos de conhecimento explícito, ou seja, aquele
conhecimento facilmente codificável e reaproveitável,
que está nos manuais e na Intranet da empresa. É a
área dos teóricos, onde o importante é estudar
e aprender, sendo a aplicação propriamente dita deixada
em segundo plano.
Obviamente que o Aprender a conhecer (o conhecimento explícito)
é importante. Você não voaria num avião
projetado por engenheiros que não entendem de Engenharia
Aeronáutica?? Ou voaria?? Este conhecimento é facilmente
adquirido através da leitura de livros e manuais e das aulas
tradicionais. Pode ser facilmente disponibilizado na Intranet da
empresa para todos que dele precisarem.
Já o Aprender a fazer é um pouco mais difícil
(eu diria bem mais difícil) de documentar e compartilhar.
O Aprender a fazer tem muito a ver com o conhecimento prático,
de como fazer as coisas, de como resolver problemas, de qual procedimento
adotar em determinada situação. Este é o que
chamamos de conhecimento tácito, o qual está, na maioria
das vezes, na cabeça dos funcionários, representado
pela experiência destes na resolução de problemas
e na execução de tarefas do trabalho diário.
A questão é que não é nada fácil
capturar e colocar em manuais e em páginas da Intranet, o
conhecimento tácito dos funcionários da empresa. Muitas
vezes um Engenheiro de manutenção é capaz de
prever quando um equipamento vai apresentar problemas, só
pelo "ronco do motor" ou outro ruído qualquer.
Mas nem mesmo este Engenheiro é capaz de colocar no papel
(ou seja, explicitar o conhecimento tácito) o porquê
de ele saber que o equipamento apresentará problemas. É
um conhecimento que faz parte da experiência do funcionário
e que, quando o funcionário deixar a empresa, vai levar junto
todos os seus conhecimentos tácitos.Esta questão é
complexa e não tem uma solução única
ou simples. Mas já existem iniciativas capazes de facilitar
o compartilhamento e o acesso ao conhecimento tácito de todos
na empresa. Uma destas iniciativas são as chamadas Comunidades
de Práticas, as quais descreverei logo a seguir.
Comunidades de Práticas:
Muitas vezes as Comunidades de Práticas (ou Comunidades Virtuais
como também são chamadas) podem ser confundidas com
simples Grupos de Discussão via Internet ou na própria
Intranet da empresa. É muito importante fazer esta distinção:
Um Grupo de Discussão é apenas uma das ferramentas
de apóio que a informática e as tecnologias Web oferecem
para dar suporte às Comunidades de prática.
Uma Comunidade de Práticas é formada por uma série
de recursos, alguns de computação e outros tradicionais,
que incentivam e facilitam o compartilhamento do conhecimento tácito
e de soluções entre os funcionários da empresa,
de tal maneira que estas soluções possam estar disponíveis
para quem delas precisar, no momento que delas precisar.
Um exemplo típico, citado no excelente livro "Portais
Corporativos", do Prof. Dr. José Cláudio Cyrineu
Terra é o da empresa Xerox. Técnicos brasileiros estavam
tendo problemas no suporte a copiadoras coloridas, bastante caras.
A gerência já havia tomada a decisão de substituir
as copiadoras que custavam cerca de 40 mil dólares cada uma.
Um dos técnicos, através de uma Comunidade de Práticas
dos técnicos de manutenção da Xerox, descobriu
a solução para o problema, solução esta
compartilhada por um técnico Canadense que já havia
enfrentado o mesmo problema, algumas horas antes: "Substituir
um sensor que custava alguns centavos de Dólar". Uma
solução bem mais em conta do que substituir dezenas
de equipamentos de milhares de dólares, sem contar a satisfação
dos clientes e prejuízo que seria para a imagem da empresa.
Este é apenas um exemplo simples dos benefícios do
compartilhamento do Conhecimento Tácito e de como as Comunidades
de Práticas são uma ferramenta para isto.
Ferramentas como Grupos de Discussão, páginas da Intranet,
mecanismos de pesquisa e e-mail são exemplos de ferramentas
de tecnologia que dão suporte a criação e implementação
de comunidades de prática. Mas como tudo, as ferramentas
de tecnologia são importantes porém não garantem
o sucesso de implementação de uma Comunidade de Prática.
Para alcançar o objetivo de realmente obter um bom nível
de compartilhamento de conhecimentos tácitos e soluções
é preciso minimizar tarefas burocráticas/irracionais,
deslocar o máximo de capacidade decisória para as
pontas, onde o trabalho realmente é feito, reduzir ao máximo
os níveis de hierarquia vertical dentro da empresa, dentre
tantas outras ações relacionadas aos aspectos humanos/administrativos
da organização Só os aspectos humanos/administrativos
seriam assunto para uma coluna, não, para um livro inteiro.
A questão toda é: Como capturar, codificar e disponibilizar
o conhecimento tácito do maior número de funcionários
possível, para todos que precisam deste conhecimento? As
Comunidades de Práticas em conjunto com ações
relacionadas aos aspectos Humanos/Administrativos podem ser uma
solução. A seguir coloco algumas referências
de livros e sites para quem pretende ampliar os estudos sobre Comunidades
de Práticas:
Livro: Comunidades
Virtuais, Jayme Teixeira Filho, Editora Senac-RJ.
Livro: Capital Intelectual, Thomas A. Stewart,
Editora Campus.
Livro: A
Riqueza do Conhecimento, Thomas A. Stewart, Editora Campus.
http://www.informal.com.br
http://www.jairpessine.hpg.ig.com.br/120_sites_esculpidos_pelos_espe.htm
http://www.cni.org.br/links/links-at-gestaoconhecimento.htm
http://www.kmol.online.pt/outros/sites.html
O Portal Corporativo como ponto único
de acesso às aplicações da empresa
Nas itens anteriores tratei sobre a utilização da
Tecnologia da Informação (TI) como ferramenta para
alavancar a produtividade e gerar resultados na empresa. Tratei
de assuntos como o desenvolvimento de aplicações em
n camadas, do conceito de Portal Corporativo e da importância
do fator humano para o sucesso da implementação de
um Portal Corporativo. Neste item vou falar um pouco sobre as opções
para fornecer o acesso às aplicações da empresa,
através de um ponto único de acesso, qual seja, o
Portal Corporativo. Para facilitar o acompanhamento, vou dividir
as aplicações nos três grupos listados a seguir:
Aplicações baseadas no Mainframe.
Aplicações Cliente/Servidor de 2 camadas.
Novas aplicações.
Aplicações baseadas no Mainframe:
Apesar de toda a onda de Downsizing, modelo Cliente/Servidor de
2 camadas e agora o desenvolvimento Web com 3 ou mais camadas, existe
um fato concreto: "Grande parte das aplicações,
em empresas de todo o mundo, continuam baseadas no Mainframe, com
o tradicional acesso via emulação de terminal, sendo
o padrão de terminal TN3270 um dos mais utilizados".
Este é um fato que eu arriscaria a dizer, até inquestionável.
Na minha opinião esta realidade continuará por um
bom tempo, pois as empresas, passada a onda do Downsizing a qualquer
preço, estão conscientes de que, muito mais importante
do que estar em dia com a última "moda tecnológica"
é ter sistemas eficientes e que atendam as reais necessidades
da empresa.
A questão a ser colocada é a seguinte: Como manter
as aplicações que estão funcionando perfeitamente
no Mainframe, porém fornecendo acesso através do Portal
Corporativo. Existem diferentes alternativas, dentre as quais destacaremos
as duas principais descritas a seguir:
Acesso usando um servidor de aplicações:
Esta opção é muito utilizada. Instala-se
um servidor de aplicações na rede da empresa. O
servidor de aplicações serve como uma ponte de acesso
aos dados e aplicativos do Grande Porte. Em seguida, com base
no modelo em n camadas, o acesso às aplicações
e dados é feita através de uma aplicação
Web, ou seja, diretamente através de uma página
do Portal. O papel do servidor de aplicações é
o de um Gateway, o qual permite o acesso aos aplicativos do Mainframe
através de um aplicativo Web. Temos inúmeros exemplos
desta forma de acesso, dentro os mais conhecidos, os Portais Internet
de alguns bancos, que permitem aos clientes consultar saldos,
pagar contas, emitir extratos, etc., tudo através da Internet,
estando os dados no Mainframe.
Acesso usando um emulador de terminal para Web: Outra opção
é a utilização de um emulador de terminal
que roda em uma página da Web, para acesso às aplicações
do grande porte. Com a versão 3 do navegador Netscape era
fornecida uma Applet Java, a qual fazia a emulação
de um terminal 3270. Além disso era possível passar
como parâmetro para a Applet, o número IP ou nome
do servidor de grande porte com o qual o usuário faria
a conexão. Com isso o acesso às aplicações
do Mainframe, torna-se, simplesmente, mais um link no Portal Corporativo.
Ao clicar no link é aberta a tela do emulador para que
o usuário se identifique, fornecendo login e senha e tenha
acesso às aplicações normalmente. Além
do uso de Applets existem inúmeras outras tecnologias que
permitem a criação de uma página que atue
como emulador de terminais. Apenas para citar algumas: Controles
ActiveX, ASP, JSP, ASP.NET, etc.
Aplicações Cliente/Servidor
de 2 camadas:
Por incrível que possa parecer, em determinadas situações,
é mais difícil adaptar uma aplicação
Cliente/Servidor para ser acessada através do Portal Corporativo,
do que adaptar uma aplicação do Mainframe. Embora
você possa não concordar, os modelos do Mainframe e
da Web são parecidos em alguns aspectos: Servidores centralizados,
onde ficam os dados e as aplicações e acesso através
da rede, usando terminais. No Mainframe, normalmente terminais a
caractere e na Web terminais gráficos, mas a idéia
é muito parecida.
Já as aplicações Cliente/Servidor são
baseadas em um modelo onde existe uma estação de trabalho
para cada ponto da rede, estação esta bem dotada de
recursos como memória, processador e espaço em disco.
Na maioria das vezes, estas aplicações precisam ser
reescritas ou, no mínimo, adaptadas para o modelo Web. Questões
como desempenho e segurança, fundamentais para o acesso no
modelo Web, tem que ser levadas em consideração. Muitas
das aplicações Cliente/Servidor tradicionais, não
foram projetadas tendo como prioridades segurança e desempenho,
principalmente desempenho. Em casos mais extremos, pode ser necessária
uma reestruturação do banco de dados, e de toda a
sua modelagem, o que implica por sua vez em reescrever a aplicação.
Uma das alternativas mais utilizadas é manter a aplicação
Cliente/Servidor funcionando ao mesmo tempo em que são criadas
páginas de acesso aos dados da aplicação. Com
isso, aos poucos, a interface da aplicação vai sendo
migrada diretamente para o Portal Corporativo. Uma vez finalizada
a migração e devidamente testada, é feita a
desativação da aplicação Cliente/Servidor
e mantido somente o acesso através do Portal. Mais uma vez
são inúmeras as tecnologias e/ou produtos disponíveis
para criar a aplicação no modelo Web: Java, ASP, ASP.NET,
JSP, Cold Fusion, só para citar as mais conhecidas.
Novas aplicações:
Estas não deixam dúvidas, ou seja, novas aplicações
já devem ser desenvolvidas baseadas no modelo Web de n camadas.
Obviamente que questões como integração com
aplicações já existentes, segurança
e desempenho devem ser seriamente levadas em consideração.
Porém os mitos de que aplicações baseadas no
modelo Web são lentas e inseguras estão caindo muito
rapidamente. Quanto à segurança existe muitas opções
e tecnologias capazes de tornar as aplicações Web
tão seguras quanto qualquer outra aplicação.
A segurança depende menos do modelo e da tecnologia, mas
sim mais do uso correto da tecnologia. Quanto ao desempenho, já
vi muitas aplicações Cliente/Servidor (mal projetadas
e mal implementadas evidentemente), que rodam em rede local, com
desempenho muito inferior a aplicações Web com o mesmo
volume de acesso.
O fato concreto é: "É possível disponibilizar
acesso a todas as aplicações da empresa através
do Portal Corporativo". Algumas aplicações rodarão
dentro do próprio Portal, com o uso de páginas Web.
Outras aplicações continuarão rodando no seu
ambiente nativo, sendo o portal apenas um ponto de acesso. Com isso
o Portal está cumprindo um dos seus papéis que é
o de fornecer um ponto único de acesso às aplicações
da empresa.
Conclusão:
O Portal Corporativo então é a solução
para todos os problemas da empresa? Obviamente que não. A
proposta do portal é um melhor aproveitamento dos recursos
de TI já existentes na empresa, fornecer um acesso estruturado
às informações, com mecanismos que facilitem
a busca das informações. O Portal também deve
servir como um catalisador para que se crie a cultura do compartilhamento
das informações, principalmente através da
criação e manutenção de comunidades
de práticas. Por fim, deve servir como ponto único
de acesso, tanto às informações quanto às
aplicações da empresa, fazendo com que desapareçam,
em definitivo, as famosas "ilhas de informações".
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